quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A Televisão Pública e as chamadas de valor acrescentado



Há uns dias a RTP emitiu o seu programa Verão Total na minha terra. E eu como estava de férias aproveitei para ver algumas caras conhecidas no pequeno ecrã.





O formato do programa até podia ser agradável e educativo. Acho louvável e muito esforçado fazerem um programa diário todos os dias num local diferente, com toda a logística que isso deve implicar. Darem oportunidade aos produtores locais de mostrarem, num programa nacional, aquilo que de melhor se faz nas suas terras é fantástico.





O que eu já não acho fantástico é a qualidade de música que passa neste tipo de programas. É claro que podiam ter musica pimba (ou popular, como queiram chamar), mas, tal como fazem com os produtos locais, porque não dar oportunidade aos grupos e bandas locais de mostrarem aquilo que fazem. Porque não mostrarem outro tipo de música. Faz-se tão boa música em Portugal porque é que só mostram aquilo. As pessoas gostam daquilo que lhe mostram e se só lhe mostram pimba é disso que elas gostam…





Outra coisa que me encanita o juízo são as chamadas de valor acrescentado. Acho indecente a televisão do estado estar de 5 em 5 minutos (literalmente) a incentivar as pessoas a ligarem aquele número para ganharem mil euros. Quantos milhares de euros não ganharão eles à custa das pessoas que estão a ver um programa que, pelas suas características, só deve ser visto por pessoas mais idosas e com poucos recursos. Isto é aldrabice. Estamos nós a contribuir com os nossos impostos para uma televisão pública para depois a própria televisão ir aos bolsos de mais fracos e desprotegidos com a promessa de uns míseros mil euros. É claro que mil euros podem fazer a diferença a muita gente, mas faz durante uns dois ou três meses. E depois? Continuam a ligar na esperança que lhe voltem a ligar para casa…





Eu sei que isto se passa em todas as televisões, mas na televisão pública devia ser ilegal!


 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A saudade e como gerir sentimentos numa criança


A minha filha, a minha menina que às vezes me parece tão distante, tão pouco sentimental, tão desligada, ontem emocionou-se ao falar ao telefone com os avós que já não vê há mais de uma semana.

Ela que está quase todos os dias com os avós, nunca mais perguntou por eles. Sempre que lhe perguntamos se tem saudades deles a resposta é negativa e quando lhe tentamos passar o telemóvel para ela falar com eles recusa. Sabemos que a ausência dos avós está a mexer com ela porque a notamos mais triste e mais retraída. Explicamos-lhe que os avós estão bem, que foram de férias e que daqui por meia dúzia de dias já estão de volta e já a vão todos os dias buscar à escola. Ela nem sequer nos reponde e parece não ligar.

Ontem quando estava ao telefone com os meus pais passei-lhe o telefone e pedi-lhe para ela dizer aos avós que tem muitas saudades deles. Ela disse e de repente começou a fazer beicinho e a ficar com os olhos rasos de água. E eu devia-lhe ter dito que ela podia chorar se lhe apetecesse, mas a minha primeira reação foi um “Não chores filha. O avô e a avó estão bem”. Ela limpou os olhinhos e continuou a brincar como se nada se tivesse passado.

Esta foi a primeira vez que a vi reprimir um sentimento. Na altura nem sequer liguei mas depois pus-me a pensar que tenho (temos) que a deixar exprimir aquilo que lhe vai na alma. Que pode chorar quando lhe apetece e rir quando quiser. Que é normal ela ter saudades e que nós também temos saudades.

Por vezes, de manhã (hoje foi um desses dias) diz-me que vai ter muitas saudades minhas. Eu digo-lhe que também vou ter muitas saudades dela mas preciso de ir trabalhar e ela precisa ir para a escolinha brincar com os amiguinhos. Ou seja, acabo por não ligar muito, mas acho que vou ter de começar a prestar mais atenção aos sentimentos da minha filha e incentivar a que ela exprima  aquilo que sente  como ela quiser…