Há uns dias a RTP emitiu o seu programa Verão Total na minha terra. E eu como estava de férias aproveitei para ver algumas caras conhecidas no pequeno ecrã.
O formato do programa até podia ser agradável e educativo. Acho louvável e muito esforçado fazerem um programa diário todos os dias num local diferente, com toda a logística que isso deve implicar. Darem oportunidade aos produtores locais de mostrarem, num programa nacional, aquilo que de melhor se faz nas suas terras é fantástico.
O que eu já não acho fantástico é a qualidade de música que passa neste tipo de programas. É claro que podiam ter musica pimba (ou popular, como queiram chamar), mas, tal como fazem com os produtos locais, porque não dar oportunidade aos grupos e bandas locais de mostrarem aquilo que fazem. Porque não mostrarem outro tipo de música. Faz-se tão boa música em Portugal porque é que só mostram aquilo. As pessoas gostam daquilo que lhe mostram e se só lhe mostram pimba é disso que elas gostam…
Outra coisa que me encanita o juízo são as chamadas de valor acrescentado. Acho indecente a televisão do estado estar de 5 em 5 minutos (literalmente) a incentivar as pessoas a ligarem aquele número para ganharem mil euros. Quantos milhares de euros não ganharão eles à custa das pessoas que estão a ver um programa que, pelas suas características, só deve ser visto por pessoas mais idosas e com poucos recursos. Isto é aldrabice. Estamos nós a contribuir com os nossos impostos para uma televisão pública para depois a própria televisão ir aos bolsos de mais fracos e desprotegidos com a promessa de uns míseros mil euros. É claro que mil euros podem fazer a diferença a muita gente, mas faz durante uns dois ou três meses. E depois? Continuam a ligar na esperança que lhe voltem a ligar para casa…
Eu sei que isto se passa em todas as televisões, mas na televisão pública devia ser ilegal!