Ultimamente
têm-se falado muito da interrupção voluntária da gravidez e sobre se deve ser
gratuita ou não e da obrigatoriedade de por as grávidas a assinar as
ecografias.
Sempre fui
pela despenalização do aborto e no referendo fiz campanha pelo sim porque
acredito que cada mulher deve ter direito a escolher aquilo que quer fazer com a
sua vida e com o seu corpo e não pode ser uma lei assinada por quem não sabe
nada da história de vida dessa mulher a decidir se ela pode ou não interromper
uma gravidez que não deseja ou que, pelos mais diversos motivos, não pode levar
adiante.
Ou seja, sou
uma defensora absoluta da liberdade da mulher. Nenhuma mulher deve ser obrigada
a olhar para uma ecografia de um feto antes de interromper a gravidez porque
acredito que ninguém faz um aborto de ânimo leve. Acredito que
deve ser uma decisão muito complicada e que mexe a todos os níveis com os
sentimentos da mulher. E também acho que uma IVG, assim como todos os atos médicos
devem ser gratuitos e comparticipados pelo SNS. Acredito e defendo tudo isto,
mas depois entra a minha história pessoal…
Antes de a
minha filha nascer debati-me durante vários anos com a infertilidade. Aparentemente
não havia nada de errado connosco. Aquilo a que se chama infertilidade
inexplicada. Como não queríamos esperar muito tempo para iniciarmos os tratamentos
optámos por avançar para uma clínica privada e para um reputado especialista em
infertilidade a quem alguns dos nossos amigos já tinham recorrido. Para além
das consultas das ecografias e da medicação, cada Inseminação intrauterina
custava 500 euros. Fizemos três, sem sucesso. Enquanto aguardávamos para
iniciar as FIV engravidei espontaneamente.
Hoje a minha
filha tem 4 anos e de há dois anos para cá que nos debatemos novamente com o
mesmo problema. Só que desta vez não nos é dada sequer a possibilidade de
recorrermos ao sistema nacional de saúde porque, segundo eles, já temos uma
filha, a lista de espera é muito grande e portanto temos que dar oportunidade a
quem ainda não tem filhos. Neste momento o sistema privado está fora de
questão.
E se eu
quisesse abortar, também tinha lista de espera? Também me recusavam o segundo
aborto porque já tinha feito um? Também tinha de pagar pelos comprimidos para abortar, como
se paga pelas injeções hormonais para engravidar?
É isto que me
tira do sério. Num país em que a taxa de natalidade está pelas ruas da amargura
dão-se, e bem, todos os direitos a quem quer abortar e quem quer ter um filho
tem que andar a sofrer de lista de espera em lista de espera e a pagar do seu
bolso deslocações, medicação e tudo o mais que for preciso.
Não sou contra
o aborto nem contra a sua gratuitidade, apenas sou contra que não deem a quem quer
ter um filho e não consegue as mesmas oportunidades que quem quer ou precisa
abortar tem.
A CORUJA AZEITEIRA
Um blog de generalidades, trivialidades, banalidades, sensibilidades e outras coisas acabadas em ades....
sexta-feira, 3 de julho de 2015
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Linhas
tenho uma amiga a passar por um divórcio traumático. Ontem, no dia em que assinou os papéis do divórcio, enquanto falava com ela, à meia luz, via-lhe no rosto as linhas que nos últimos tempos se formaram e pensei que estamos a ficar velhas. Ou talvez velhas não seja a expressão adequada. Já passou muita vida por nós, já passámos por muito juntas. ela é a minha amiga de infância, desde os sete anos, desde que me conheço por gente. Ela já me permitiu ajuda-la.
Eu, pelo contrário, nunca lhe permiti ajudar-me!
É certo que nunca passei por um divórcio e espero nunca passar. Mas tenho passado alguma coisa e nunca me permiti receber ajuda. De ninguém. culpo-me por isso.
A verdade é que me culpo por tudo. E me desculpo por tudo.
Estou a tentar melhorar. Abrir-me mais. Dizer aquilo que sinto e não guardar para mim. Dar mais para receber mais. Porque se eu não dou não posse esperar receber em troca. e há coisas que se não sou eu ajudar-me, ninguém me pode ajudar, porque ninguém sabe. ou melhor, presumem, mas como eu não falo sobre isso, mais ninguém fala e assim se cria um muro, uma barreira que não quebra e não cai porque eu não permito.
gostava de escrever para ver se a escrita me ajuda a entender-me melhor, porque falar não é o meu forte. Quero ser uma pessoa melhor.
A vinha vida não é desgraça nenhuma. Tenho tantas coisas boas na minha vida. a melhor delas, está aqui numa fotografia a olhar e a sorrir para mim. E é por ela que quero ser melhor, mais feliz....
Eu, pelo contrário, nunca lhe permiti ajudar-me!
É certo que nunca passei por um divórcio e espero nunca passar. Mas tenho passado alguma coisa e nunca me permiti receber ajuda. De ninguém. culpo-me por isso.
A verdade é que me culpo por tudo. E me desculpo por tudo.
Estou a tentar melhorar. Abrir-me mais. Dizer aquilo que sinto e não guardar para mim. Dar mais para receber mais. Porque se eu não dou não posse esperar receber em troca. e há coisas que se não sou eu ajudar-me, ninguém me pode ajudar, porque ninguém sabe. ou melhor, presumem, mas como eu não falo sobre isso, mais ninguém fala e assim se cria um muro, uma barreira que não quebra e não cai porque eu não permito.
gostava de escrever para ver se a escrita me ajuda a entender-me melhor, porque falar não é o meu forte. Quero ser uma pessoa melhor.
A vinha vida não é desgraça nenhuma. Tenho tantas coisas boas na minha vida. a melhor delas, está aqui numa fotografia a olhar e a sorrir para mim. E é por ela que quero ser melhor, mais feliz....
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
É hoje
É hoje que tenho uma consulta. Uma consulta que andei a adiar
durante anos e anos. Sempre fui de deixar andar, assobiar para o lado e fingir
que não se passa nada. E enquanto isso o tempo passava e o problema
agravava-se. A semana passada tomei coragem e lá vai disto. Está marcada e é
hoje!
Vamos ver no que vai dar…
olá
Eu sei! Eu sei que abandonei completamente este estaminé à sua sorte, mas agora lembrei-me de vir aqui avisar que.....
Estamos quase a chegar ao NATAL!!!!!!!
Estamos quase a chegar ao NATAL!!!!!!!
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
A Televisão Pública e as chamadas de valor acrescentado
Há uns dias a RTP emitiu o seu programa Verão Total na minha terra. E eu como estava de férias aproveitei para ver algumas caras conhecidas no pequeno ecrã.
O formato do programa até podia ser agradável e educativo. Acho louvável e muito esforçado fazerem um programa diário todos os dias num local diferente, com toda a logística que isso deve implicar. Darem oportunidade aos produtores locais de mostrarem, num programa nacional, aquilo que de melhor se faz nas suas terras é fantástico.
O que eu já não acho fantástico é a qualidade de música que passa neste tipo de programas. É claro que podiam ter musica pimba (ou popular, como queiram chamar), mas, tal como fazem com os produtos locais, porque não dar oportunidade aos grupos e bandas locais de mostrarem aquilo que fazem. Porque não mostrarem outro tipo de música. Faz-se tão boa música em Portugal porque é que só mostram aquilo. As pessoas gostam daquilo que lhe mostram e se só lhe mostram pimba é disso que elas gostam…
Outra coisa que me encanita o juízo são as chamadas de valor acrescentado. Acho indecente a televisão do estado estar de 5 em 5 minutos (literalmente) a incentivar as pessoas a ligarem aquele número para ganharem mil euros. Quantos milhares de euros não ganharão eles à custa das pessoas que estão a ver um programa que, pelas suas características, só deve ser visto por pessoas mais idosas e com poucos recursos. Isto é aldrabice. Estamos nós a contribuir com os nossos impostos para uma televisão pública para depois a própria televisão ir aos bolsos de mais fracos e desprotegidos com a promessa de uns míseros mil euros. É claro que mil euros podem fazer a diferença a muita gente, mas faz durante uns dois ou três meses. E depois? Continuam a ligar na esperança que lhe voltem a ligar para casa…
Eu sei que isto se passa em todas as televisões, mas na televisão pública devia ser ilegal!
terça-feira, 23 de setembro de 2014
A saudade e como gerir sentimentos numa criança
A minha filha, a minha menina que às vezes me parece tão
distante, tão pouco sentimental, tão desligada, ontem emocionou-se ao falar ao
telefone com os avós que já não vê há mais de uma semana.
Ela que está quase todos os dias com os avós, nunca mais
perguntou por eles. Sempre que lhe perguntamos se tem saudades deles a resposta
é negativa e quando lhe tentamos passar o telemóvel para ela falar com eles recusa.
Sabemos que a ausência dos avós está a mexer com ela porque a notamos mais
triste e mais retraída. Explicamos-lhe que os avós estão bem, que foram de
férias e que daqui por meia dúzia de dias já estão de volta e já a vão todos os
dias buscar à escola. Ela nem sequer nos reponde e parece não ligar.
Ontem quando estava ao telefone com os meus pais passei-lhe
o telefone e pedi-lhe para ela dizer aos avós que tem muitas saudades deles.
Ela disse e de repente começou a fazer beicinho e a ficar com os olhos rasos de
água. E eu devia-lhe ter dito que ela podia chorar se lhe apetecesse, mas a
minha primeira reação foi um “Não chores filha. O avô e a avó estão bem”. Ela
limpou os olhinhos e continuou a brincar como se nada se tivesse passado.
Esta foi a primeira vez que a vi reprimir um sentimento. Na
altura nem sequer liguei mas depois pus-me a pensar que tenho (temos) que a
deixar exprimir aquilo que lhe vai na alma. Que pode chorar quando lhe apetece
e rir quando quiser. Que é normal ela ter saudades e que nós também temos
saudades.
Por vezes, de manhã (hoje foi um desses dias) diz-me que vai
ter muitas saudades minhas. Eu digo-lhe que também vou ter muitas saudades
dela mas preciso de ir trabalhar e ela precisa ir para a escolinha brincar com
os amiguinhos. Ou seja, acabo por não ligar muito, mas acho que vou ter de
começar a prestar mais atenção aos sentimentos da minha filha e incentivar a
que ela exprima aquilo que sente como ela quiser…
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Dar sangue
Para além do bikini bridge, um dos meus outros traumas de adolescência e pos adolescencia era que, pelo facto de ser tão magra, não poderia ser dadora de sangue.
É verdade. Eu, pessoa de 1.78 de altura, pesava menos de 50 kilos. Oscilava entre os 45 e os 48 para ser mais precisa. Ou seja, era verdadeiramente um pau de virar tripas, ou como alguém dizia uma folha de zinco.
Isto tudo para dizer que agora que já peso mais de 50 kilos (e bem mais) já posso dar sangue. E é isso que tenho feito desde que a filha nasceu. Sou dadora de sangue. Não tão regularmente como gostaria. Umas vezes esqueço-me, outras vezes não há tempo e outras não estou por cá.
Mas domingo é dia de dar sangue por cá, por isso, este mês não posso falhar. Só espero não estar muito calor. No ano passado fui dar sangue num dia de 40 graus e vi uma mulher a apagar-se ao meu lado. É verdade que era a primeira vez que dava sangue e não tinha comido nada antes (grande asneira) e que depois de uns sopapos e de uma agua fria na cara recuperou mas gerou-se uma grande confusão naquela sala. Eu também passei o resto dia a pensar se não me ia esmarovar a qualquer momento. Senti-me mesmo mal nesse dia.
Por isso domingo é dia de ser solidária e poder salvar alguém com o meu sangue!
É verdade. Eu, pessoa de 1.78 de altura, pesava menos de 50 kilos. Oscilava entre os 45 e os 48 para ser mais precisa. Ou seja, era verdadeiramente um pau de virar tripas, ou como alguém dizia uma folha de zinco.
Isto tudo para dizer que agora que já peso mais de 50 kilos (e bem mais) já posso dar sangue. E é isso que tenho feito desde que a filha nasceu. Sou dadora de sangue. Não tão regularmente como gostaria. Umas vezes esqueço-me, outras vezes não há tempo e outras não estou por cá.
Mas domingo é dia de dar sangue por cá, por isso, este mês não posso falhar. Só espero não estar muito calor. No ano passado fui dar sangue num dia de 40 graus e vi uma mulher a apagar-se ao meu lado. É verdade que era a primeira vez que dava sangue e não tinha comido nada antes (grande asneira) e que depois de uns sopapos e de uma agua fria na cara recuperou mas gerou-se uma grande confusão naquela sala. Eu também passei o resto dia a pensar se não me ia esmarovar a qualquer momento. Senti-me mesmo mal nesse dia.
Por isso domingo é dia de ser solidária e poder salvar alguém com o meu sangue!
terça-feira, 12 de agosto de 2014
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Bikini Bridge
Ele há coisas mesmo parvas. Parece que a nova moda este
verão é mostrar os ossos das ancas.
Eu que já fui pessoa para lá de magra, passei toda a minha adolescência
e parte da idade adulta com complexos de ir à praia e de me estender na toalha
de barriga para cima por causa dos ossos.
E agora que a única coisa que consigo mostrar naquela zona é
a celulite é que vira moda o bikini bridge…
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
O aniversário do marido
O marido está quase a fazer anos e como sempre eu não faço
ideia o que lhe vou oferecer. Posso-lhe perguntar um milhão de vezes o que é
que ele quer, o que é que lhe faz falta, o que é que ele gosta, que a resposta
é sempre a mesma. Ou melhor, as mesmas.
- Não sei;
- Não preciso de nada;
- Não me dês nada;
Pois, pois.
Roupa é sempre o que os pais lhe dão. Podia oferecer o livro
que inspirou a série de que estamos fans… é uma ideia…
Mas este ano vai mesmo levar com um perfume que eu goste.
Ele usa um perfume que eu AMAVA. Mas quando engravidei enjoei todos os perfumes
e aquele tornou-se insuportável. Agora já o tolero, mas continuo a não gostar,
por isso a prenda dele este ano também vai ser para mim…
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